13.10.06

VERDADEIRAMENTE LIVRES... CHEGA DE PRESSÃO E OPRESSÃO!


A liberdade verdadeira para estar continuamente na presença de Deus é o presente disponível a todos igualmente pela sua Graça. Não há lugar para orgulho espiritual dos que se acham mais santinhos ou para preservação da culpa dos que se reconhecem pecadores! Sua presença em nós é melhor que qualquer presente que Ele poderia nos oferecer!

É preciso recusar que outros voltem a nos colocar debaixo da escravidão e da separação. E impedir que outros ocupem o lugar de intermediários entre nós e Deus! Pois não há mais separação! Não há mais regras a seguir para ter direito ao acesso. O acesso é livre por causa da
Graça de Deus. Não é graça especial para privilegiados. A água da vida é para os que têm sede. É graça para todos.

Por meio de Jesus Cristo, que pagou o alto preço da nossa liberdade, temos acesso direto a Deus. Temos acesso à Sua intimidade, à honra de sermos tratados como filhos e filhas, amados e amadas do Pai. Filhos e filhas são livres. Não são escravos e escravas! Não são prisioneiros e prisioneiras!

O véu do templo se rasgou! Não há mais separação! Podemos ter acesso direto a Deus! É em Jesus que todos podem encontrar a verdadeira paz com Deus, pela liberdade que resulta de serem transformados em filhos de Deus! Todos os que vão a Ele como estão, pedindo a sua misericórdia, recebem pela sua graça a aceitação e o perdão, a roupa nova, o anel. O Pai nos vê como filhos e filhas! Herdeiros e herdeiras! Sacerdócio real! Povo adquirido, resgatados das trevas para a sua luz! Estamos livres! Verdadeiramente livres! Jesus nos libertou! (João 8:36).

Ser verdadeiramente livres é reconhecer que, apenas pela sua graça, somos habitados e saciados pelo Deus Eterno!

Desfrutar da presença de Deus em liberdade é o bem maior que a sua graça pode nos proporcionar, em qualquer circunstância. É a liberdade de vivermos dia a dia guiados pelo Espírito de Deus. É Jesus na vida e vida em Jesus!

A graça é liberdade verdadeira!
Ele é Deus conosco e ponto final.

18.9.06

Nem credora, nem devedora, por sua Graça...


Minha primeira gravidez foi de gêmeos, e eu estava me sentindo feliz e premiada. Com quase 7 meses de gestação eles morreram na barriga e eu fui submetida a uma cesariana já sabendo que voltaria para casa sem os filhos.

Sentia-me absolutamente decepcionada com a perda vivida e cheguei a acreditar que Deus tinha dado as costas para mim. A imagem do Deus cruel e vingativo que estava querendo tanto tirar da minha mente naqueles últimos anos,voltava a me perseguir. Entrei em crise. Tive mesmo raiva de Deus e tentava negar isso a mim mesma, sentindo-me muito culpada por estar sentindo algo tão ruim em relação a Ele. E me sentia abandonada e castigada.

Ainda no hospital, me sentindo arrasada, cheguei a dizer a uma amiga cristã em quem confiava muito:
_ É... Deus está me devendo essa.
Ao que ela respondeu:
- Mas Ele tem crédito, não é?

Foi nesse período que encontrei e li o livro Decepcionado com Deus, do escritor Phillip Yancey. Resisti muito ao título inicialmente, mas ao resolver ler, logo no início vi que aquilo que eu sentia e de fato me assustava tanto, era experimentado por outras pessoas também em situações similares.Depois de muita resistência e paradas na leitura, consegui chegar ao fim do livro e perceber, humildemente, que eu ainda era uma menina na fé, na relação com o Pai, e que ainda tinha muito a aprender sobre fé e graça.

Percebi que ali, naquele abismo emocional tão profundo, o amor de Deus e a sua graça permaneciam disponíveis para mim. Descobri na pele que seguir o caminho de Jesus não significava ser imune aos grandes sofrimentos, mas me aperceber da sua graça em qualquer momento e circunstância e dar a Ele o louvor devido em qualquer situação.

Compreendi finalmente a graça de Deus e a minha completa e absoluta incapacidade de pagá-lo por tudo o que imerecidamente Ele me deu em Cristo e tudo que me dá por sua graça diariamente. Nem credora e nem devedora. Deus nada me deve e por sua graça eu nada lhe devo, pois tudo Ele pagou na cruz por amor e graça.

Graça preciosa. Graça que basta. Graça disponível a todos...é esse o Caminho!
O que nos cabe?
A eterna ação de graças que, conseqüentemente, gera ações cheias e recheadas de Graça!

1.9.06

Deus não é Delivery ...

Quando pedimos algo a Deus, até dizemos “seja feita a tua vontade”, mas, querendo ou não, ficamos sempre é torcendo mesmo pelo que gostaríamos que acontecesse, e de preferência imediatamente.

Às vezes ficamos ansiosos tentando visualizar de qual caminho sairá a resposta para o que foi pedido, ou imaginando as opções que Deus tem para nos atender Outras vezes tentamos dar um empurrãozinho, sugerindo como Ele deve agir.

Alguns ainda se atrevem a não pedir ou sugerir, mas a ordenar que seja detalhe por detalhe como foi exigido! Agem como se estivessem solicitando uma compra Delivery. A diferença é que não vão pagar...

Deus gosta e quer que oremos, e que peçamos por nós e pelos outros, mas nem disso Ele precisa para fazer o que deseja por nós e para os outros. Ele sabe exatamente o que todos nós necessitamos.

Em sua soberania, Deus deseja dar o seu melhor para nós. Mas do jeito dele. Não gosta de agir como Delivery, mas como Pai do céu que faz “muito mais do que pedimos ou pensamos segundo o seu poder que em nós opera.” E de graça mesmo!!!

O que Deus mais gosta, no entanto, é de fazer surpresas graciosas e não explicar muito porque fez assim ou assado... Ele sempre tem uma boa razão para agir como age. Mas só percebe isso quem está aberto e ora pedindo que Ele responda como “bem quer e entende que deve”. Assim:

“Querido Deus:
Fique à vontade na minha vida...
Faça o que o Senhor quiser na minha história...
Permita o que achar que deve permitir que aconteça...
Eu realmente creio que só queres o melhor para mim,
ainda que nem sempre eu possa entender Suas razões...”.
Amém.


25.8.06

Um santo defeito...


Daniel foi um camarada jovem, íntegro, que ousou ser fiel aos seus valores religiosos, nacionalistas, éticos (e até gastronômicos), mesmo estando exilado numa terra de valores culturais e religiosos completamente diferentes dos seus. Ele não aceitava que ninguém “fizesse a sua cabeça” para comer ou beber o que não achava que deveria nem adorar ou orar a quem ele não reconhecia como Deus.

Tinha fortes convicções sobre diante de quem deveria ele se inclinar e orar. Orava disciplinadamente, e sem subterfúgios, três vezes ao dia, a despeito da ordem contrária imposta pelo rei. Ele orava unicamente ao Deus que reconhecia como o Deus verdadeiro. Isso contrariava os interesses do poder da época. Era subversão! Santo defeito!

Como agia de modo íntegro, não usava a religião para explorar ninguém, nem como forma de autopromoção, diz a Bíblia que os seus invejosos acusadores só acharam este erro nele: A oração ao único Deus!

Sua vida não foi nada fácil. Foi perseguido, vigiado, acusado de desobediência e jogado na cova dos leões. Era o preço de sua fidelidade a Deus. No final ele foi poupado, saiu ileso, Deus resolveu livrá-lo. Os leões não ousaram tocar nele. Seus amigos também não se queimaram nas chamas porque Deus quis livrá-los. Mas o bonito na história é que essa garantia não havia sido dada antes. Ele de fato preferia ser comida de leões e seus amigos preferiam ser queimados vivos que pecar contra o seu Deus e por isso não se intimidaram com as ameaças.

Há vários exemplos na Bíblia e na História de pessoas que não receberam o livramento de Deus na hora H, como o exemplo do próprio Jesus Cristo, do jovem pregador Estevão, do pastor Martin Luther King e tantos outros. Esses os “leões” famintos assassinaram.

Daniel se arriscou a agir conforme suas convicções monoteístas no que diz respeito à sua vida de adoração e oração.

Os deuses da injustiça, da desigualdade, da corrupção e opressão querem que nos inclinemos. Cada um de nós (que vive afirmando que Deus é fiel), também é chamado a viver sendo fiel ao único Deus a ser obedecido e este é o Deus da verdade, da justiça, da eqüidade, da libertação e do amor.

É preciso estar preparado em oração para pagar o preço de andar na contra mão do poder da nossa época!

Os “leões” nos aguardam...

18.8.06

CADA DIA


Ontem meditei no texto bíblico que diz assim, na tradução mais atualizada: “Ensina-nos a usar bem os dias da nossa vida para que nos tornemos sábios.” Salmos 90:12

De fato é a soma dos dias bem vividos, que podem tornar-nos sábios se aprendermos a tirar lições de cada acontecimento e experiência que vivemos sem desperdícios. Aproveitando bons e maus momentos como mestres diários! Viver cada dia bem...

A murmuração e a ansiedade muitas vezes nos trazem perdas dessas lições de sabedoria que os acontecimentos sob a orientação divina podem nos proporcionar. Por isso Jesus Cristo nos ensina a viver um dia de cada vez intensamente.
“O pão nosso de cada dia nos dai hoje.” ( Mateus 6:11)
“Para cada dia bastam as suas próprias dificuldades.” (Mateus 6: 34)

O ensino de Jesus não deve ser usado como desculpa para pessoas preguiçosas, irresponsáveis ou procrastinadores de questões urgentes e necessárias, que estão sempre deixando os trabalhos a serem feitos hoje para amanhã.

Pedir o pão nosso de cada dia e não nos preocuparmos ansiosamente com o dia de amanhã, representa sim, a confiança no Deus que provê o nosso sustento diário. Viver bem cada dia é fugir da ansiedade e do desespero dos que não confiam na provisão de Deus.

Viver um dia por dia e deixar o amanhã para nos ocuparmos amanhã é um desafio que envolve discernimento, pois não invalida a busca do alcance de metas pré-estabelecidas e da realização de sonhos de médio e longo alcance. Não dispensa um sério planejamento no trabalho e o uso de agenda para não cairmos na armadilha do esquecimento.

Viver bem cada dia é tornar-se sábio.
E sabedoria é viver cada dia bem com Deus...
Penso assim...e busco viver assim...

11.8.06

O Pai Terno e o Pai Eterno.


Lembro de quando eu era adolescente e minhas colegas vibravam com os apelidos de artistas que ele colocava em cada uma de nós. Levantava a auto-estima da gente. Cheio de piadas e casos engraçados, meu pai era uma pessoa de bom humor contagioso. Com ele aprendi o jogo da velha, aprendi a jogar damas e, claro, a torcer pelo time do Bahia. Como era bom brincar e torcer junto com ele!

Brincar com os filhos é algo maravilhoso! Que bom que o meu pai sabia disso. Gosto de lembrar dele brincando conosco e nunca esqueço um dia em que o vi brincando com a minha filha no chão, simulando um piquenique. Não havia objeto nem lanche algum naquele momento. Apenas a imaginação fértil dele. Quanta ternura!

Meu pai faleceu, vítima de um infarto na véspera do Dia dos Pais. Ao invés de um almoço especial e alegre, conforme estava sendo esperado e planejado, tivemos a surpresa de uma cerimônia fúnebre, no domingo mais triste da minha história!

No domingo anterior eu havia pregado sobre a alegria que deve viver todo aquele que confia no Pai dos céus, como a criança que confia no pai terreno incondicionalmente. Agora eu estava ali totalmente dependente dos cuidados do Pai Eterno, me sentindo em seu colo, enquanto eu amamentava ainda uma criança de dois meses que dependia tanto de mim também.

O Pai eterno é o Deus do consolo e da alegria. A alegria desse Pai é a nossa força. Nunca nos deixará. Não estamos sós. Não viveremos o luto do Pai celestial jamais.

Meu pai se eternizou pela lembrança de sua alegria e graça que ainda me faz sorrir, mesmo ele estando ausente. Era um pai terno...

O Pai do Céu se eterniza pela alegria e graça que me fará sempre feliz, porque Ele está e estará sempre presente! É o Pai eterno...

“Não vos deixarei órfãos!” (João 14:18)
“Nunca os deixarei e jamais os abandonarei.” (Hebreus 13:5b).

4.8.06

Violência Covarde

“Não é da vontade de vosso Pai que está nos céus, que venha a perecer um só destes pequeninos.” ( Mateus 18:14)

Vi na página principal de um Jornal hoje a foto de um pai sentado no chão com o filho morto no colo, atingido pelos ataques da guerra no Líbano. Foram dezenas de crianças mortas nesta guerra na última semana. O poder bélico mostrando sua força estúpida e covarde...

Deus meu! Eram apenas crianças!!! Não haviam se alistado para a guerra! Não tinham idade ainda para saber nada sobre o porquê da guerra. Não sabiam ainda do porquê de tantas outras coisas...

Nada justifica as motivações que levam os povos a tentarem exterminar uns aos outros. E mais repugnante ainda é a ação de soldados contra crianças de qualquer povo.

Lembrei do grande líder Moisés, que ainda bebê foi poupado da morte imposta pelo Faraó aos meninos hebreus e do próprio filho de Deus, Jesus Cristo que foi poupado ainda criança de ser morto pelos soldados do rei Herodes.

A necessidade desses poderosos de se mostrar forte foi tão covarde que matou muitas e muitas crianças!

Em nosso país há outras espécies de guerras diariamente contra crianças: Extermínio, abuso sexual, aliciamento e a omissão social que gera a fome, a mendicância, o trabalho infantil, aborto e desnutrição.

Aqui também se vê pais e mães com filhos mortos no colo, vítimas da violência barulhenta ou silenciosa dos covardes!

Que Deus tenha misericórdia de nós e de nossas crianças!



28.7.06

O Prazer de Hospedar

Esta semana hospedamos em nossa casa uma amiga que mora numa cidade do interior. Minha filha pequena chorou hoje porque ela foi embora. Há alguns hóspedes cuja presença faz arder o coração, e desejamos que fiquem mais tempo conosco, como Jesus ao ser hospedado pelos discípulos de Emaús. (Lucas 24:28-32)

É maravilhoso hospedar! Gostamos muito de receber visitas. Mesmo que cheguem de surpresa. Entendemos o hóspede como mais uma pessoa que chega a nossa casa por uns dias para receber os cuidados que já temos rotineiramente uns com os outros. Não há lençóis especiais, toalhas, talheres, copos, nada disso. Tudo que pode ser usado por nós pode ser usado por quem chega. E tudo que seria especial para visitas pode ser usado pelos da casa.

Desnecessária a frase: cuidado, temos visitas! Entendemos que o que não pode ser feito com a presença de visitas não pode ser feito em situação alguma. Os da casa também merecem tratamento carinhoso e gentil. São eles os que suportam nosso bom ou mau-humor, nossos dias difíceis, nosso cansaço, rotineiramente. Aprendi isso um dia com uma amiga goiana, “quem mais merece tratamento especial esse alguém é quem convive comigo diariamente”. Afinal, somos todos especiais.

Por ser tão bom a Bíblia nos estimula a sermos hospitaleiros. (Romanos 12:13). Hospedar é um prazer. É oferecer a alguém uma oportunidade de participar do estilo de vida que os moradores da casa participam, de viver uma rotina e uma experiência de cultura familiar diferente daquela que já vivem. De ficar à vontade, de sentir-se em casa, de partir o pão conosco!

É uma experiência de comunhão íntima. É dividir a vida! Quando vão, sempre deixam um pouco de si e levam um pouco de nós...

24.7.06

O Sabor da Amizade


Ontem, 20 de julho, foi comemorado o Dia Internacional da Amizade. Minha filha de 4 anos levará hoje beijinhos (docinhos de côco) para a festinha da amizade na escola.

Gosto de saborear beijinhos e acho que a amizade tem gosto de beijinhos sim. Vou parabenizar a professora pela excelente idéia de comemorar a amizade com coisas gostosas.

Certamente um colega levará brigadeiros, um outro levará coxinhas, o outro levará pastéis, e por aí vai... Que delícia!

Gostinhos muito saborosos... Momentos de confraternização e alegria.
Que bela maneira de comemorar a amizade!

Sim, a amizade ontem estava em evidência. Festinhas, telefonemas, cartões, trocas de recados, de e-mails, mensagens enviadas por diferentes maneiras e reportagens nos meios de comunicação.

Que bom!!! Num tempo em que os telejornais só registram enfaticamente notícias tão azedas, amargas ou apimentadas demais, certamente que cai bem registrar “um sabor de beijinhos, de brigadeiros, coxinhas e pastéis”... O sabor da amizade!

A amizade não pode ser comprada. Ao contrário dos petiscos mencionados, a amizade leal, segundo a Bíblia, não tem preço e “nada se iguala ao seu valor”. Ou ainda, com todo respeito às Escrituras, eu diria: nada se iguala ao seu sabor...

Hummmmm!!!!!!!!

Coisa gostosa é ter amigos!

14.7.06

Atraente ou Repelente?


Esta semana chegou uma senhora no escritório e perguntou ao colega:

_ Hummmmm!!!! Que perfume é esse que você está usando?

Fiquei pensando na capacidade que um perfume pode ter, agindo de forma atrativa ou repulsiva. O mesmo aroma pode ser agradável ou desagradável, dependendo do olfato de quem o sente ou da intensidade de quem o utiliza. Pois mesmo um bom perfume quando usado em demasia pode causar enjôo e repulsa.

Assim também é o nosso jeito de viver e falar o que conhecemos do Evangelho de Cristo. Pode atrair os que se encantam com o seu aroma ou repelir pela intensidade indesejável com que alguns tentam apresentá-lo, sem ações de amor, com discussões tolas, com atitudes legalistas e apegos a formalidades absolutamente vãs, causando mais enjôo e repulsa do que desejo de aproximação daqueles que estão por perto.


Acredito na força do amor como aroma poderosamente atrativo. Quando deixamos de agir com amor o nosso falar e agir vai perdendo seu efeito de perfumar e de atrair outros a Cristo. Lembro que o apóstolo Paulo disse que o cristão é o bom perfume de Cristo.
O bom perfume de Cristo é o que manifesta o seu amor. Era o Seu amor que atraia aos que o seguiam e causava perplexidade e ódio nos seus inimigos.

Foi pela força do amor manifesta na unidade dos primeiros discípulos no início da Igreja Cristã, que Deus pode atuar acrescentando os que iam sendo atraídos por aquele perfume: o perfume da partilha, comunhão, respeito, trabalho solidário, “um só coração, uma só alma”.

Que possamos também viver perfumados e perfumando os ambientes por onde passamos, atraindo outras pessoas a perguntarem:
_ Huuuummmmm!!!!! Qual é o perfume que você usa?

E com verdade, humildade, leveza, e especialmente amor, cada um de nós possa responder:
_ O Perfume é Cristo!!!

7.7.06

Só Deus sabe !!!

Procurando me conhecer melhor, três frases me chamaram a atenção esta semana. Primeiro eu li isto: “Ninguém conhece realmente tanto o mundo interior de um ser humano quanto o próprio indivíduo”.

É bom buscar o autoconhecimento. E o que eu penso que eu sou me afeta e muito. Às vezes me leva à presunção quando meu conceito sobre mim é exageradamente positivo e às vezes me leva à baixa auto-estima quando o que penso de mim está aquém do que eu gostaria de ser. Mas se penso de mim equilibradamente, isso me ajuda a viver melhor. Quero me conhecer melhor a cada dia.

Depois eu li que “dentro de nós existe a pessoa que achamos que somos a que os outros acham que somos e a que Deus sabe que somos.”

O que os outros pensam de mim também me afeta muito: às vezes me leva à vaidade, quando é muito mais positivo do que eu mesma posso acreditar que sou, ou a uma atitude de descrédito de meus valores e potencialidades quando a imagem que os outros têm de mim é muito negativa.

Mas então li na Bíblia o que Davi disse: “Senhor, Tu me sondas e me conheces...de longe entendes o meu pensamento”(Salmos 139:1-2). Sou exatamente aquilo que Deus vê e sabe que eu sou. Por isso, quero concentrar a atenção naquilo que Deus pensa sobre mim. Essa é a pessoa que de fato existe. A pessoa que Deus vê. A pessoa que Deus conhece. Quero me conhecer partindo daí. Só Deus conhece o que sou no mais íntimo do meu ser. Só Deus sabe quem realmente eu sou! Maravilha!
Deus conhece tudo em mim desde que estava no ventre. Deus me chama pelo meu nome e dele eu sou serva, filha, amada, amiga, e co-herdeira com Cristo. Conhece meus dons e minhas limitações...erros e acertos...intenções e pretensões...tudo!!!

Sei que Deus vê coisas em mim que eu mesma ignoro. Minha auto-avaliação e a avaliação de outros serve para me ajudar a refletir sobre quem sou. Mas há muitos limites na avaliação humana, venha de quem vier. O melhor é buscar a avaliação divina. A avaliação do Criador. Ele tem o conhecimento real.

Como é que eu vou saber quem eu sou?

Eu sou o que Deus pensa a meu respeito!

1.7.06

Palavras e gestos que salvam o dia!

Hoje recebi um e-mail de uma pessoa que recebeu uma das mensagens que envio freqüentemente para os amigos de um site. Ela agradecia a mensagem enviada, sobre a graça de Deus, pois chegou, segundo ela, no pior dia de sua vida, num dia em que ela estava sentindo dores emocionais enormes, levando-a sentir dores no corpo e pressão altíssima. Eu não sabia nada disso antes de enviar a mensagem, mas Deus sabia.

Fui um instrumento de Deus para levar a essa pessoa a palavra que ela estava precisando no momento oportuno. Signifiquei para ela uma demonstração do cuidado e do amor de Deus. Segundo ela, salvei o seu dia!
Apenas uma palavra amiga. Quanto poder há nas palavras amigas...

Fiquei a pensar no quanto existe de gente carente por aí de uma palavra, um gesto de carinho, de reconhecimento da sua existência, do seu valor, do seu significado.
Uma palavra ou um gesto amigo dizem para o outro:
_“Olá, eu estou aqui....você existe para mim....por isso faço contato com você.”
Isso pode mudar o dia de alguém...
A quem você falou algo positivo hoje?
A quem você elogiou hoje?
A quem você desejou um bom dia hoje?
Para quem você telefonou dando os parabéns?
Para quem enviou uma carta ou um e-mail agradável hoje?
Por quem você já orou hoje?
A quem ofereceu a mão?
A quem ofereceu seu abraço?
A quem beijou?
Para quem sorriu?
Resolvi então escrever sobre isso para compartilhar com você que toda palavra agradável que nos ocorre dizer a alguém deve ser dita, ainda que não entendamos por que nos ocorreu dizê-la, simplesmente devemos arriscar proferi-la ou enviá-la.
Um gesto carinhoso faz milagres no dia de alguém.
Como diz a Bíblia, tudo que é verdadeiro, honesto, justo e puro deve ocupar o nosso pensamento e é o que deve ser compartilhado.

Mude o dia de alguém!

19.5.06

Quer que eu segure a sua mão, tia?

O lugar era cheio de montanhas e cachoeiras. A natureza exuberante nos deixava perplexos e a simplicidade das pessoas nos encantava. Estávamos na roça, procurando novos alunos para a Escola Rural de Jaguaquara.
Entramos na casa da família de Israel e Samuel. Sua mãe estava desejosa de vê-lo ir à escola, junto a seu irmão Israel, mas estava preocupada com a idéia de a escola ter uma pedagogia de alternância em que eles deveriam ficar no período de aulas no internato.
Procurávamos transmitir para ela e para as crianças toda a tranqüilidade com relação à segurança na escola. Percebíamos que havia muito amor e carinho naquela família e prometemos que na escola seus filhos também encontrariam um tratamento digno e carinhoso. Quando ela decidiu então abraçar a idéia, abraçamos as crianças já sentindo um enorme carinho e responsabilidade em relação a eles.
Então, pedimos para ela nos indicar outras famílias que tivessem crianças na idade escolar sem freqüentar a escola, e ela nos falou onde poderíamos encontrar e já pediu para seus filhos nos acompanharem até lá, pois achava que, sozinhos, nós não acertaríamos chegar na casa indicada.
O caminho era bastante estreito para os pés de adultos, mas subimos em fila indiana, em direção ao topo da montanha.
Na medida em que nós subíamos, eu ia ficando cada vez mais apavorada, pois a altura era muito grande. Senti medo. Samuelzinho e Israel olhavam para trás para ver a que distância nós estávamos e paravam para nos esperar quando percebiam que estávamos muito para trás. Num determinado momento Samuelzinho percebeu meu medo, parou, esperou que eu chegasse perto e perguntou:
_ Quer que eu segure sua mão, tia? Perguntou serenamente.
_ Quero sim, meu filho. Respondi sorrindo e um pouco envergonhada.
Ele passou a caminhar mais devagar, na minha frente e com o braço para trás segurando com firmeza a minha mão.
Chegamos ao destino e ao voltar eu novamente precisei segurar naquela mãozinha para descer sem medo, evitando olhar a altura em que estávamos.
Foi um grande pequenino amigo que segurou minha mão numa hora delicadamente difícil
Naquela experiência concluí que como educadores deveríamos agir sempre como Samuelzinho, apontando o caminho que conhecemos por experiência própria, andando na frente, mas voltando quando necessário para não deixar ninguém para trás e ao percebermos a fragilidade dos caminhantes, conduzi-los serenamente transmitindo amor e segurança, sempre dispostos a dar a mão.

12.5.06


Posso chorar junto com você?



Vivi chegou ao internato a contra-gosto. Oriunda de uma família de poucas condições econômicas, mas esbanjadora em afetos, ela não conseguia superar a saudade de casa.
Era uma aluna que parecia nem ter idade para estar na escola, por ser tão pequenina e tão dependente.
Ela nos sensibilizava muito com seu choro incessante, uma tristeza que parecia não ter fim. Eu também estava com muita saudade de meus pais e meus irmãos que moravam na capital e que eu tinha poucas oportunidades de visitar. Necessitava ser forte emocionalmente, o suficiente para conseguir ajudá-la. Mas havia dias em que a carência emocional dela me mobilizava tanto...
_ Posso chorar junto com você Vivi? Perguntei com sinceridade.
_ Buáááááááá!!! Continuou ela, e me abraçou.
_ Buááááá!!!! Chorei junto com ela.
O abraço se tornou ainda mais forte!
Lembrei de Jesus diante do momento triste de Marta e Maria, com a morte de Lázaro.
A Bíblia diz que Ele chorou. Era Deus sim, mas humano também!
Chorou como qualquer verdadeiro humano chora.
Por que então eu teria que fingir que aquela dor de Vivi era coisa apenas de criança?
Educadora sim, mas humana também.
E chorei com vontade junto a ela. A ponto de ela parar antes e me consolar...
E ali, sentadas no chão do pátio da escola, enquanto outras coisas tão importantes quanto isso aconteciam na sala da direção, nas salas de aula e no terreno das aulas de técnicas agrícolas, eu estava no chão ensinando a uma aluna em sofrimento que adulto também sofre, também chora, também precisa de consolo...
Fizemos então um trato. Só iríamos chorar juntas a partir dali. Se eu não estivesse chorando, ela precisava se controlar para não despertar em mim a vontade de chorar também. E se ela não estivesse chorando era eu quem teria que me controlar. Se não conseguíssemos então choraríamos juntas sempre.
Ela me passou aquele olhar singelo misturado com sorriso e lágrimas e disse:
_ Prometo. Mas eu não gosto de ver você chorar.
_ Eu também não gosto de ver você chorar Vivi. Vou chorar junto com você toda vez.
Então, daí em diante, ela sorria e me abraçava alegre a cada vez que nos encontrávamos.
_Vai chorar hoje? Perguntava eu, brincando.
_Não pró. Se eu chorar você chora.
Vários alunos voltaram para casa por causa da saudade.
Eu também não suportei mais de três anos a saudade da família e voltei para a minha terra, mas Vivi se adaptou ao ritmo de um mês na escola e dois em casa e concluiu o seu curso de ensino fundamental até á 4ª série quatro anos depois.
Ela é uma das recordações que trago na memória com o maior carinho quando falo em saudades, ou quando me vejo chorando sozinha.

5.5.06

Como é que esse bicho anda?


_ Como é que esse bicho anda?
_ Tem um negócio chamado de motor meu bem.
_ Tô com medo!!!
_ Segure a minha mão.
_ Como é o nome disso?
_ Ônibus meu amor, o nome disso é ônibus.
Foi assim que conheci Henrique (nome fictício), um menino muito especial!
Era a primeira vez que estava entrando em um carro que não era puxado por cavalos, burros ou jegues. Estava chorando muito, visivelmente assustado, indo para a escola pela primeira vez. Amei-o tanto naquele momento, sem sequer imaginar o quanto ele iria ser um importante desafio e aprendizado na minha vida.
Henrique tinha 9 anos, vivia mais no meio da mata do que em casa. Por isso ao chegar na escola, gostava de fugir para a área verde, onde subia ligeiramente nas árvores, coisa que mais lhe proporcionava prazer, seguida da hora da refeição, é claro. Era uma criança visivelmente subnutrida.
A escola ainda estava em obras, e a área verde estava sendo trabalhada. Havia um trator em movimento na área e ele colocava a própria vida em risco indo na direção do trator inocentemente, correndo de um lado para o outro alegremente. Ignorava nossos chamados. Tínhamos que ir buscá-lo e correr atrás dele até o alcançarmos e trazê-lo com firmeza, enquanto se debatia querendo voltar.
Dependendo do momento, ele se mostrava dócil ou agressivo, atraente ou repulsivo, meigo ou hostil. Era difícil saber quando ele queria ou não a nossa aproximação. Às vezes nos abraçava e elogiava e às vezes corria dizendo palavrões.
Por não conhecer as normas básicas de educação e higiene que utilizamos, Henrique passava na frente dos outros na fila, soltava gases na fila do refeitório, brigava muito e batia nos colegas, mordia as pessoas (inclusive a professora), afastava os que tentavam aproximar-se dele, pois colocava apelidos com críticas à aparência das pessoas, sem qualquer preocupação com os critérios impostos pela etiqueta urbana. Confesso, honestamente, que em muitos momentos eu também não queria ficar perto dele, mas era uma das responsáveis em promover a sua integração e acolhimento e tinha a desafiante missão de ajudá-lo a viver bem no internato, a tratar bem as pessoas e as coisas e a se interessar pelas aulas formais.
Conseguir que ele ficasse sentado por 5 minutos em uma sala de aula era uma tarefa quase impossível. Comportava-se muito estranhamente. Às vezes, rolava no chão como uma cobra, tomava os materiais dos colegas para ele, pulava subitamente as janelas da sala de aula. A sua professora, Letícia, uma educadora cristã competente e persistente, buscava promover meios diversos para conquistar seu interesse pela leitura e escrita, e melhorar a sua oralidade, pois ele expressava-se com dificuldade e nunca havia sequer visto um lápis ou um papel.
Ele era um desafio à nossa competência, ao nosso amor, à nossa capacidade de promover a inclusão, de aceitar bem a ovelha mais frágil do rebanho, pois era grande a tentação de nos livrarmos dela e Henrique chegou a ser levado de volta para casa, decisão aparentemente movida pela necessidade de atender bem às outras 99 ovelhas, e pela sensação de impotência diante do porte da tarefa.
Mas, graças à filosofia inclusiva e cristã, a Escola Estadual Rural Taylor Egídio não desistiu de Henrique e trouxe-o de volta. Hoje ele é um dos monitores dos alunos novos. E graças a ele, todos os educadores sentiram a necessidade de estudar mais sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, aprendemos que inclusão significa que os direitos são iguais para alunos diferentes e fomos todos desafiados à busca de novos conhecimentos visando a sua inclusão e a de outros que hoje chegam com histórias de vida e comportamentos semelhantes. Ninguém de fora!!!
Henrique nos levou à conversão em educadores, pessoas e cristãos melhores.

28.4.06

Eram 100 ovelhinhas...


Domingo era o dia mais esperado pelas 100 crianças. Dia em que os pais e parentes podiam visitá-las, trazer lanches, supri-las de abraços e beijos familiares. Dia também em que nos reuníamos para o culto, com duração de 1 hora, no auditório da escola. Era depois do café, antes da chegada das visitas.
A enfermeira e uma auxiliar nos ajudavam a conduzi-las em fila até o auditório. Não era muito fácil dirigir um culto e ensinar uma história bíblica para 100 crianças que ainda não sabiam ler. Na época não havia na escola os recursos áudios-visuais que existem hoje, e as maiores gravuras bíblicas que conseguimos adquirir só alcançavam a visão dos que sentavam bem na frente...
Naquele domingo queríamos ensinar-lhes sobre o amor de Deus. Discretamente, escondi atrás das cortinas do palco uma das crianças bem pequenas, de quem os colegas não iriam sentir falta, imediatamente, por ser bem tranqüila e tímida, e só cochichei para ela o seguinte:
_ Fique sentadinha aí até eu vir te buscar, certo? Você vai ser a artista principal de hoje...
Prontamente ela sorriu e obedeceu ficando quietinha por quase meia-hora ouvindo o início do culto atrás da cortina, em plena confiança.
Comecei o culto, cantamos muito, oramos juntos e chegou então o momento de contar a história bíblica.
Perguntei então para eles, conhecedores da zona rural, o que significava ser um pastor de ovelhas, quais os perigos que as ovelhas correm, como são as ovelhas, quais os cuidados que um pastor precisa ter, e eles levantavam a mão e iam dizendo o que sabiam. Aprendi tanto com eles nesse dia sobre as necessidades dos bichos e sobre os perigos da mata...
Falei então para eles que certo pastor tinha 100 ovelhas e amava muito cada uma delas. Todos os dias ele contava para ver se estavam todas ali protegidas e só depois ele ia dormir.
Perguntei a eles então quantas crianças estavam no auditório. Eles responderam que eram cem. Eu disse que queria conferir, como aquele pastor fazia. Pedi a eles que me ajudassem a contar e fui andando pelo auditório contando com eles.
Quando chegamos em 99, eu os assustei gritando:
_ Falta uma: Falta uma criança. O que pode ter acontecido?
Eles responderam:
_ Contamos errado...
_ Foi ao banheiro...
_ Fugiu do auditório...
_ E agora gente? O que eu devo fazer? Perguntei fingindo estar angustiada:
Eles disseram:
_ Procurar!
Saí então olhando debaixo dos bancos, subi na galeria do auditório, fui vasculhando atrás do piano. Havia 99 pares de olhos curiosos me seguindo e o som de risadinhas bem discretas. Enfim cheguei ao palco, fui atrás da cortina e gritei:
_ACHEI!
A risada foi escancarada. Curiosidade geral! Todos queriam saber quem era a “ovelha perdida”. Peguei a criança no colo e perguntei:
_ O que devo fazer com ela?
Eles responderam animadamente, quase todos falando ao mesmo tempo:
_ Dá um reio bem dado (surra na linguagem deles)!
_ Briga com ela pró!
_ Bota de castigo tia!
_ Manda embora!
Eles estavam bem movimentados, eufóricos e curiosos.




Então, abracei a criança bem carinhosamente, e, dessa vez precisando usar o microfone, falei mansamente:
_Minha querida ovelhinha, ela está tão machucada... É tão pequenina, precisa tanto de minha ajuda... Eu vou cuidar muito bem dela. Que bom que eu consegui encontrá-la em tempo. Já imaginaram se a onça chegasse antes?! Venha meu amor, nunca mais nada de ruim vai te acontecer. Vou protegê-la sempre. Você nunca não mais irá ficar longe de mim, está bem?
Olhei novamente para o auditório, pedi que ela sentasse junto a eles e indaguei:
_ Quantos são agora?
_ 100!
_ Nenhum perdido?
_ Não!
Li então o texto de João 3:16:

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna.”

E expliquei com voz bem suave:
_É assim que Deus nos ama. Como um bom pastor. Não abre mão de nenhum de nós. Ninguém de fora. Ele fica feliz em ver suas ovelhas perto dele e sente falta quando uma se afasta. Nunca esqueçam: Cada um de vocês é tão importante para Deus que Ele deu a vida de seu Filho Jesus para conhecermos o tamanho do seu amor e do seu cuidado.
Alguns estavam visivelmente perplexos.
Saímos do auditório cantando o belo corinho:

O Senhor é o meu Pastor e nada me faltará.
Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte,
não temerei, não temerei, não temerei o mal....

20.4.06

Aprendiz Da Vida Rural

Nasci em Salvador, capital da Bahia, tive uma infância de criança urbana,
e pouquíssimo contato com a vida rural até chegar o ano 2000 quando
fui viver a experiência de morar em Jaguaquara- Ba.

Como sou assistente social, fui convidada a contribuir com a
Escola Estadual Rural Taylor Egídio recém criada, cuja proposta é alcançar
crianças da zona rural que têm dificuldades de ter acesso à educação formal.
Como assistente social, minhas funções eram de acolhimento, educação para a
cidadania, educação religiosa e proteção dessas crianças, pois elas ficam
internas na escola durante o período de aulas.
Eram 100 crianças de cada vez. Meninos e meninas. Hoje são mais de 200 de cada vez.
É difícil para a criança da roça, morar na cidade e viver num internato.
Alguns sofriam tanto com a saudade da família e da liberdade, que éramos
obrigados a devolvê-los às suas famílias com medo que adoecessem.
Mas sofríamos ao pensar que ao desistir eles estariam perdendo o acesso
à educação formal, agrária, religiosa, musical, emocional, lúdica e digital.



Minha benção tia Lucy...

“Deus te abençoe Israel, Deus te abençoe Gilmar, Deus te abençoe Viviane...”
Eram 100 vezes: “ Deus te abençoe...”

Vamos levantar gente!!!! Hoje será um dia maravilhoso!!! Vamos repetir???
Todos gritavam: Hoje será um dia maravilhoso!!!

E iam descendo das camas, dobrando os lençóis juntos, trocando as roupinhas, pegando as toalhas e a saboneteira para irem ao banho. Acompanhava cada passo deles ensinando as normas básicas de higiene pessoal, pois alguns ainda não sabiam como usar essas coisas de banheiro...

Quando todos estavam prontos, fazíamos a grande fila e recitávamos:
“Este é o dia que o Senhor fez, vamos nos alegrar nele.”
E cantávamos alegremente, caminhando para o refeitório:
“Um bom dia na presença do senhor, um bom dia na presença de Cristo o rei, que o Senhor sobre ti levante o rosto irmão, e te guarde para sempre, e te guarde eternamente e te guarde sempre em nome de Jesus.”
Fazíamos uma grande roda, de mãos dadas, comemorávamos os aniversários do dia e eu fazia uma oração espontânea em voz alta, que eles repetiam frase por frase, em atitude de profunda reverência a Deus.
Recitávamos juntos a divisa da Escola:
“O Senhor te guiará para sempre, tu serás como um jardim regado” Isaías 58:11
E cantávamos o hino oficial da Escola Rural:
“Plantando juntos nós seremos fortes, cantando juntos nós seremos bons, Anunciaremos a fraternidade e aprenderemos as demais lições!”
Faziam então a fila, pegavam suas bandejas com os alimentos e eram ensinados então a sentarem à mesa e a usar os talheres, a não desperdiçar os alimentos, a jogar o lixo no lixo.
Eu, uma cidadã urbana e aprendiz da vida rural , sentava cada dia com um grupo diferente para conversar enquanto tomávamos café, e eles falavam sobre a vida deles.
Passo a passo eu ia conhecendo cada dia mais um pouco sobre a realidade deles, sua linguagem, seus valores e conceitos sobre Deus, família, sexualidade, paz e amizade...
Era assim, enquanto ouvíamos essas coisas, respeitando os conhecimentos que eles já possuíam e que envolviam muitas crenças e superstições que fazem parte de sua idéia de religião, conhecendo a visão de si e do outro que eles traziam que íamos pouco a pouco apresentando para eles a mensagem cristã do amor de Deus por cada um, do amor que Deus quer que tenhamos um pelo outro, do cuidado que Deus quer que tenhamos com nossos corpos e a nossa necessidade de retribuirmos o amor e a graça de Deus para conosco com nossa dedicação integral a Ele, Único Caminho para a felicidade de urbanos e rurais.